Por: Mauricio Santana

Foi em uma entrevista de emprego (mal sucedida por sinal), que a ideia de fazer um intercâmbio surgiu de uma forma emergencial, culpa de um telefonema em inglês na terceira fase do processo seletivo para ingressar numa grande agência de comunicação.  No Brasil eu exercia duas profissões totalmente distintas: trabalhava como feirante e freelancer, exercendo funções como assessoria de imprensa em eventos teatrais, cobertura de eventos esportivos e reportagens em geral. É muito óbvio eu salientar a importância do inglês para jornalistas, mas na teoria eu ainda não havia percebido que muito em breve eu poderia passar por situações constrangedoras, e assim caiu à ficha literalmente que eu precisava urgentemente aprender a língua inglesa.

Foram três anos de muitas pesquisas, trabalho, pesquisas, trabalho….mas eu não saía do lugar. Os valores me assustavam, o planejamento financeiro sempre estava abaixo do que eu realmente precisaria investir e o desânimo começou a tomar conta. Pensei em investir novamente em escolas de inglês no Brasil, mas só de imaginar o fato de que estaria jogando dinheiro fora, me fazia de certa forma focar novamente no objetivo de estudar fora do país.

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Eu já havia definido o destino: Londres. Visitei várias agências, assistia diversos vídeos, colecionava mapas e brochuras com diversos orçamentos a cada tentativa de conseguir um preço que caberia no meu bolso, e isso já estava tornando-se chato. Porém tudo isso me faz citar novamente uma frase-clichê, mas um fato consumado: Se você realmente deseja algo de coração, não perca tempo e corre atrás, pois esse objetivo será conquistado, e todo àqueles sonhos descritos na parede do seu quarto se tornará realidade. E sim: haja alface pra vender e reportagens para fazer….E foi com esse pensamento, aos trancos e barrancos que no dia 23 de Abril de 2014, após contagem regressiva de quase 365 dias anotados diariamente no calendário,  eu desembarquei em Dublin. Mas aí vocês me perguntam: Dublin? Como assim? E Londres? Pois é, nem sempre as coisas acontecem como planejamos, mas nesse caso o “tiro foi certeiro”.

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Na época a ilha esmeralda (Irlanda) surgiu como uma solução, longe de ser o destino dos meus sonhos, porém a praticidade e valores me fez perceber que Dublin seria o destino a ser seguido.  Poucos sabem, mas uma das motivadoras por me fazer escolher a Irlanda, além dos motivos citados acima, foi a Agência Mundi. Sim, eu também sou um explorador mundi. A relação entre cliente e agência foi acima das minhas expectativas. Sabe quando vários amigos se juntam para planejar o primeiro mochilão e se reúnem para fazer o melhor planejamento, gastos, destinos, dentro do orçamento de cada membro desse grupo, de uma forma que todos possam estar juntos? pois é.. Se realmente existir os “deuses do futebol”, eu devo acreditar que possa existir algo como “os deuses dos intercâmbistas”. A parceria rendeu frutos, e fui convidado a fazer parte da equipe MUNDI. A minha função é auxiliar e acompanhar os clientes no processo  do visto de estudante. Coincidentemente a insegurança de fazer tudo sozinho, sem suporte presencial, era uma das minhas maiores preocupações no início das minhas pesquisas sobre intercâmbio.

A adaptação em Dublin foi muito tranquila e ao mesmo tempo surpreendente, principalmente para quem não falava absolutamente nada em inglês. Esperava uma temperatura mais fria, porém cheguei numa época de transição entre o inverno e a primavera. Após três dias em uma residência estudantil, aluguei um apartamento temporário por um mês numa casa um pouco afastada do centro. Pude conviver com estudantes de várias nacionalidades (alemão, venezuelana, espanhola, catalã, italiano e irish), além de alguns brasileiros. Esse contato com outras nacionalidades é essencial e lhe prepara para o dia a dia. A escola lhe ensina os caminhos, enquanto a lição de casa será nas ruas, estabelecimentos, pubs, bibliotecas, voluntários, entre outros.

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A Irlanda me proporcionou as melhores (inexplicáveis) sensações. E esse sentimento tem cinco letras: VIAJAR.  Eu pude desfrutar o que há de mais incrível: visitei castelos, aventurei em trilhas, subi no topo das montanhas, relaxei nas praias (no verão, claro) e explorei lugares históricos. Com uma mochila nas costas, o mundo fica pequeninho….logo, conheci  Madrid, París, Amsterdã , Bruxelas…

O intercâmbio mudou o significado da minha vida, transformou-se de um objetivo profissional, de  um destino que cabia no bolso, para uma realidade inimaginável, consolidando o real significado de ser feliz. Se no decorrer da vida nós amadurecemos e crescemos como pessoas, no intercâmbio crescemos e amadurecemos 10,20x mais.  Esse texto é apenas um resumo de como a realidade muda a cada instante, que os desafios e dificuldades tornam-se meros detalhes quando o resultado do seu esforço é de satisfação, objetivo alcançado, e claro, coleções de carimbos no passaporte.

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